sexta-feira, 14 de junho de 2013

Saudade tem cheiro de pipoca doce



Pelo menos foi esse o aroma que eu senti em uma das últimas vezes em que passei por aquelas vielas de paralelepípedo entre os prédios. Onde o vento soprava loucas idealizações ali criadas e também findadas.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Inquietude



Inquietude deve ser aquilo que eu sinto durante à madrugada de domingo
esperando a segunda-feira chegar.
Ou então, às vezes em que verifico o celular na esperança de você me ligar.
Talvez seja a sensação estranha de estar em um carro parado no trânsito,
imaginando que seria mais rápido andar.

Inquietude deve ser ver você caminhar em outra direção
sem que eu possa desviar os teus trilhos.
Ou então, quem sabe seja, a fração de segundos em que eu perco
a oportunidade de dizer algo que possa te fazer ficar.
Talvez inquietude seja apenas o reflexo das vezes
em que eu me levanto para buscar café.

Inquietude pode ser a dor nos músculos do meu braço enquanto escrevo,
sem a menor chance de parar.
Ou então, pode ser os minutos que antecedem e me separam
do início de alguma atividade que gosto.
Talvez seja a força usada para quebrar algemas que prendem as asas,
que prendem a alma.

Inquietude deve ser a minha vontade de conquistar.
Ou então, os meses que já passaram e eu não consegui rimar.
Talvez a inquietude esteja mais para furor adolescente.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O som da sua voz



Hoje eu não consigo dormir
e a culpa é sua.
É sua, por não me permitir vomitar estes versos,
por não ficar, nem me deixar partir.

A culpa é sua, não tente se abster dela.
Eu te escrevi os mais bonitos versos,
mas por algum motivo,
eles não encontram rima.
Por algum motivo, eles não têm cor.

A sua ida levou minha sanidade,
e boa parte da capacidade que eu costumava ter,
de transformar pessoas em canções,
para assim, dar por encerrada
histórias que não me levariam a nada.

Sabe, às vezes o silêncio ajuda,
mas quando coisas que você quer esquecer
não saem da sua cabeça,
ele te corrompe.

Corrói cada ligação de emoção, e fio de sentimento.
Engloba cada neurônio, e diminui sua pulsação.

Mas os meus ouvidos, eles ainda decifram
cada onda de som emitida pela tua voz.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Quando tudo não for o bastante


Quando nem o meu maior grito for capaz de ferir teus tímpanos
Quando nem o meu fantasma te assustar
Quando nem que eu dance Macarena e plante bananeira imitando um macaco, possa ser capaz de despertar o teu sorriso
Quando nem que eu escreva um poema mais suave do que de Mário Quintana, e mais sofrido do que o Caio Fernando, eu te comova
Quando nem o solo mais bonito do que os feitos pelo Jimi Hendrix, consiga te chamar a atenção
Quando os meus rabiscos virarem música pro Chico Buarque cantar, e nem mesmo assim, tu me notar.

...ainda assim, não terá sido em vão.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Inverno



Não inverno! Ainda não, tá muito cedo pra chegar,
eu ainda nem achei alguém para esquentar meu coração.

Ok, eu sei, não tenho a mínima certeza de que vou encontrar,
mas me dá mais um tempo...
vem vindo, mas vem de leve, com candura, dando tempo ao tempo, pra eu tentar me acostumar.

Não és tu minha paixão, mas quem sabe um dia o sol queime tão forte, que eu passe a te amar.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Como um longa-metragem



A vida parece um longa-metragem quando caminho em falso por não saber onde seria correto pisar.
Parece mesmo um longa-metragem quando faço coisas que nunca vou poder explicar a razão de terem sido feitas.
Quando fico sozinha em casa imaginando que alguém esteja filmando todos os meus passos, às vezes até, meus pensamentos.
Também parece um longa, quando olho no fundo dos meus olhos, frente ao espelho, e tenho vontade de chorar.

Parece um longa-metragem, quando a madrugada é escura e eu sigo andando de um lado pro outro sem saber aonde quero chegar.
Parece um longa às 18 horas, quando a avenida está movimentada, e eu nem sei se é pra casa que quero voltar.
Também parece, quando a chuva fria bate em meu rosto, e eu começo a cantar, sem me importar que alguém possa escutar.

Às vezes chega parecer um curta, quando tudo é muito intenso, mas apenas por uma noite.

No final, tudo pode ser uma trilogia, dividida por fases, em que o autor ainda não revelou para a protagonista quando vai acabar. Nem ela decidiu sua participação encerrar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Prosa



Uma carência irrevogável, a dor de estar só, de ter nascido só. De ser só?

- Não diz bobagem menina, como pode se sentir só em meio à multidão? Gente de toda cor, tamanho, raça, religião...
- Sentir, eis a questão. É falta de sentir. É o lado esquerdo dessa multidão. É por ainda não ter enxergado quem também anda remoendo a solidão.

- Você está desesperada, sem a mínima razão. Há tanta gente do teu lado, querendo te dar a mão.
- Por isso mesmo, e mais uma vez insisto, solidão! Me segure pelo olhar não por minhas mãos. Essa multidão entrelaçada pelos dedos esquece o brilho e a paixão.
Mas não se preocupe, isso é apenas parte da busca por "outro pino redondo nesse buraco quadrado".