sábado, 27 de fevereiro de 2016

Escribã


Só a escrita me liberta
do vazio e da dor da incompreensão. 

A escrita me liberta de uma passagem fugaz por esse mundo,
com ela, e muitas vezes, só com ela, posso me fazer entender.
Mais que isso, ela consegue mostrar ao mundo o que o meu silencio tem a dizer.

Só ela é capaz de amenizar o abismo que a falha da minha voz perpetua.

Milhares de ondas sonoras me recusei a emanar calando gritos,
mas a velocidade do som que me desculpe, a força da minha voz protestante 
encontra mesmo aconchego, é sendo transcrita nos livros dessa estante.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

tragar a dor



Um maço de Malboro vermelho para essa noite, por favor.
Preciso da sensação de matar algum tempo.

Vou tragar a morte para reacender a esperança.
Inalar fumaça para nublar minhas lembranças de nós dois.

Talvez o whisky derreta o gelo que você me deu,
com sorte esquenta o espaço frio em que você criou.

Tô querendo mais uma vez me entorpecer.
Subir na mesa e rir da minha dor,
depois chorar feito criança órfã de amor.

Eu quero um tempo para sentir a dor, remoer, mastigar e cuspir
esse gosto amargo que você deixou.

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Vazei



Tive de dizer adeus de novo para ir plantar amor em outro quintal,
já que no seu nada floresceu eu juntei meu cuidado, afeto e atenção,
recolhi as sementes que já tinha espalhado no chão.



sexta-feira, 30 de outubro de 2015

Papel de palhaço



Então se não estiver disposto a fazer papel de palhaço...
lamento informar,
restam poucas vagas no elenco.

quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Alô...



Ufa!
Não pensei que seria capaz de me arriscar tanto.
Nossa, não imaginei que conseguiria.
Caramba, como que dessa vez fui mesmo capaz?

Senti isso tudo assim que desliguei o telefone.
Corri para secar o suor de nervoso que escorreu como a mais genuína das formas de dizer: "estou nervosa demais só por falar com você".
Depois corri pra cama, abracei o travesseiro e juro, por uns 3 minutos não pensei em NADA, nem em você.

Nirvana.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Meu lugar é você



Já te mostrei todos os meus lugares,
já te apresentei meu mundo
e você nem sabe.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Apêndice



Sempre tive muito medo do meu apêndice. Um medo terrível de que um dia meu apêndice estourasse.
Ele está ali e de repente se parte. Nenhum sinal prévio... em um belo dia ele apenas pode preferir partir ao fazer parte de você. Então aquela dor insuportável te deixando imóvel e obrigando a abandonar seus planos futuros, porque agora que ele partiu, e sentir que falta um pedaço em você, te tira as forças pra continuar. Eu morro de medo de estourar meu apêndice.