segunda-feira, 6 de maio de 2013

O som da sua voz



Hoje eu não consigo dormir
e a culpa é sua.
É sua, por não me permitir vomitar estes versos,
por não ficar, nem me deixar partir.

A culpa é sua, não tente se abster dela.
Eu te escrevi os mais bonitos versos,
mas por algum motivo,
eles não encontram rima.
Por algum motivo, eles não têm cor.

A sua ida levou minha sanidade,
e boa parte da capacidade que eu costumava ter,
de transformar pessoas em canções,
para assim, dar por encerrada
histórias que não me levariam a nada.

Sabe, às vezes o silêncio ajuda,
mas quando coisas que você quer esquecer
não saem da sua cabeça,
ele te corrompe.

Corrói cada ligação de emoção, e fio de sentimento.
Engloba cada neurônio, e diminui sua pulsação.

Mas os meus ouvidos, eles ainda decifram
cada onda de som emitida pela tua voz.

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Quando tudo não for o bastante


Quando nem o meu maior grito for capaz de ferir teus tímpanos
Quando nem o meu fantasma te assustar
Quando nem que eu dance Macarena e plante bananeira imitando um macaco, possa ser capaz de despertar o teu sorriso
Quando nem que eu escreva um poema mais suave do que de Mário Quintana, e mais sofrido do que o Caio Fernando, eu te comova
Quando nem o solo mais bonito do que os feitos pelo Jimi Hendrix, consiga te chamar a atenção
Quando os meus rabiscos virarem música pro Chico Buarque cantar, e nem mesmo assim, tu me notar.

...ainda assim, não terá sido em vão.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Inverno



Não inverno! Ainda não, tá muito cedo pra chegar,
eu ainda nem achei alguém para esquentar meu coração.

Ok, eu sei, não tenho a mínima certeza de que vou encontrar,
mas me dá mais um tempo...
vem vindo, mas vem de leve, com candura, dando tempo ao tempo, pra eu tentar me acostumar.

Não és tu minha paixão, mas quem sabe um dia o sol queime tão forte, que eu passe a te amar.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Como um longa-metragem



A vida parece um longa-metragem quando caminho em falso por não saber onde seria correto pisar.
Parece mesmo um longa-metragem quando faço coisas que nunca vou poder explicar a razão de terem sido feitas.
Quando fico sozinha em casa imaginando que alguém esteja filmando todos os meus passos, às vezes até, meus pensamentos.
Também parece um longa, quando olho no fundo dos meus olhos, frente ao espelho, e tenho vontade de chorar.

Parece um longa-metragem, quando a madrugada é escura e eu sigo andando de um lado pro outro sem saber aonde quero chegar.
Parece um longa às 18 horas, quando a avenida está movimentada, e eu nem sei se é pra casa que quero voltar.
Também parece, quando a chuva fria bate em meu rosto, e eu começo a cantar, sem me importar que alguém possa escutar.

Às vezes chega parecer um curta, quando tudo é muito intenso, mas apenas por uma noite.

No final, tudo pode ser uma trilogia, dividida por fases, em que o autor ainda não revelou para a protagonista quando vai acabar. Nem ela decidiu sua participação encerrar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Prosa



Uma carência irrevogável, a dor de estar só, de ter nascido só. De ser só?

- Não diz bobagem menina, como pode se sentir só em meio à multidão? Gente de toda cor, tamanho, raça, religião...
- Sentir, eis a questão. É falta de sentir. É o lado esquerdo dessa multidão. É por ainda não ter enxergado quem também anda remoendo a solidão.

- Você está desesperada, sem a mínima razão. Há tanta gente do teu lado, querendo te dar a mão.
- Por isso mesmo, e mais uma vez insisto, solidão! Me segure pelo olhar não por minhas mãos. Essa multidão entrelaçada pelos dedos esquece o brilho e a paixão.
Mas não se preocupe, isso é apenas parte da busca por "outro pino redondo nesse buraco quadrado".

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

É amor


É amor quando te ver, mesmo que de longe, já me faça tremer.
É amor quando procuro em outras pessoas você.
É amor quando do teu lado sonho acordada com o dia em que vou poder te ter.
É amor quando saio com os teus amigos só para me aproximar de você.
É amor quando vejo algo de encantador no teu cabelo grande, na tua barba já há semanas por fazer e até naquela barriguinha já escapando pelas calças.
É amor quando mesmo tendo te tocado apenas uma vez sou capaz de desenhar teu rosto de olhos fechados, respeitando os mais leves traços. Lábios finos, bochechas fartas, e olhos redondos e escuros feito bala de coca... É, a minha preferida.
É amor essa vontade que pulsa e me faz querer ser melhor, pra quem sabe um dia, poder te alcançar.
É amor ainda sobreviver mesmo te amando tanto assim sem poder deixar transparecer.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Nostalgia



Saudade daquela velha banda que acabou, e também daquela que ainda persiste mas mudou.
Saudade do ensino médio, dos amigos da escola, e até das festinhas daquela época.
Saudade de ter tempo pra andar de bicicleta, de skate, de dormir, ou simplesmente, de assistir a sessão da tarde.
Saudade de quando, do mundo, eu ainda não havia visto tanta maldade, nem tanta gente se perder assim.
Saudade de quando eu acreditava que amor era sinônimo de sinceridade, e que quem o sentisse não seria capaz de mentir, nem de trair.
Saudade de quando eu não tinha dúvidas de que as pessoas levavam pelo menos alguns princípios consigo, como: cumplicidade, amizade, tolerância...
Saudade de quando te conheci e ainda não sabia que nós jamais ficaríamos juntos.
Saudade de gente que carrega a verdade de uma criança no olhar.