quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Vai passar, tu sabes que vai passar. Talvez não amanhã, mas dentro de uma semana, um mês ou dois, quem sabe? O verão está aí, haverá sol quase todos os dias, e sempre resta essa coisa chamada “impulso vital”. Pois esse impulso às vezes cruel, porque não permite que nenhuma dor insista por muito tempo, te empurrará quem sabe para o sol, para o mar, para uma nova estrada qualquer e, de repente, no meio de uma frase ou de um movimento te surpreenderás pensando algo assim como “estou contente outra vez”. Ou simplesmente “continuo”, porque já não temos mais idade para, dramaticamente, usarmos palavras grandiloqüentes como “sempre” ou “nunca”. Ninguém sabe como, mas aos poucos fomos aprendendo sobre a continuidade da vida, das pessoas e das coisas. Já não tentamos o suicídio nem cometemos gestos tresloucados. Alguns, sim – nós, não. Contidamente, continuamos. E substituímos expressões fatais como “não resistirei” por outras mais mansas, como “sei que vai passar”. Esse o nosso jeito de continuar, o mais eficiente e também o mais cômodo, porque não implica em decisões, apenas em paciência.
— Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Caminhando sobre nuvens

Alternando entre dias de euforia, e dias na lama, sem saber o significado da felicidade, sem saber se alguma coisa dentro de mim ainda bate, se ainda sou capaz de sentir algo, esperando pelo dia em que vou me sentir viva novamente.
Isso acontece quando você cansa das frequentes overdoses, procuras inúteis por carinho ou até mesmo um pouco de compaixão, buscas sem sentido, mas a essa altura o que ainda faz sentido?
O tempo passa na velocidade da luz para se aproximar das coisas que você mais teme, eu faço escolhas sem saber, sem querer, pelo fato de ter chegado a hora de tomar um decisão.
Vejo que todo aquele álcool em excesso não chegou a ser veneno suficiente, e aquelas trocas de salivas não podem preencher o meu vazio...
Aprender a caminhar sozinho, aprender a conviver com o inserto, aprender a se sentir um nada, compreender porque você só faz sentido para você mesmo, mas sem perder muito tempo procurando respostas pra tudo isso que acontece.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A cura

Hoje você podia aparecer por aqui, e me contar algum segredo sobre a sua vida enquanto a chuva dissolve a cidade tchu ru ru tchu ru ru.
Eu não costumo me entregar assim mais sabe tem vezes em que meu orgulho perde um pouco pra saudade, pra vontade de não estar só oh oh.
 
uuuh, deixa eu sentir teu abraço, deixa eu ver teu sorriso, a tua voz me faz tão bem, que só você pra me livrar.
 
Eu fico imaginando onde você esta e onde estão os seus pensamentos, se existe alguma chance de você vir aqui, ou de te encontrar amanha, não faz parte de mim agir assim.
 
uuuh, deixa eu sentir teu abraço, deixa eu ver teu sorriso, a tua voz me faz tão bem, que só você pra me livrar.
deixa eu sentir teu abraço, deixa eu ver teu sorriso, a tua voz me faz tão bem, que só você pra me livrar, pra me livrar, pra me livrar...tristeza.
(Musica linda, de uns caras muito boa gente de Porto Alegre, Doyoulike?)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Do outro lado do arco-íris.

Já não vejo as férias como antigamente, já não vejo tantas coisas como antigamente, parece que as coisas tomaram um peso a mais, um valor diferente, e eu nunca imaginei que fosse assim estar onde estou, e como estou, por muito tempo achei que as coisas fossem simples, não sei se o erro foi ter escolhido um caminho complicado ou quem sabe a indecisão de não saber por qual caminho andar, não sei se na verdade teve erro ou se as coisas são 'simplesmente' assim. Vivi sempre na pressa de querer tudo na hora, planos grandiosos, sonhos gigantes, tão mas tão maiores que eu, da grandeza que muita gente não acredita que uma menina franzina possa carregar. Fica difícil entender que tenho uma longa caminhada pra trilhar antes de chegar ao meu pote de ouro do outro lado do arco- íris. Ao fim de um ano aquela sensação de que muitas outra coisas poderiam ter acontecido, de que deveria ter feito tantas outras coisas valer, é presente em mim, mas isso me da forças pra dar mais que o máximo de mim nesse novo ano que está por vir, e eu já sei, estou aprendendo a prestar atenção nos detalhes, e vendo assim quantos detalhes importantes eu tive nesse ano, quanta coisa diferente que eu sei que não ficará esquecida e restrita a esse ano, quem sabe quanta história ainda pode continuar, quem sabe com que frequência o tempo vai mostrar os diversos caminhos, e quem sabe por qual eu vou seguir..

domingo, 28 de novembro de 2010

Nascer de um outro dia

A tinta da caneta borra folhas em vão
Declarações romanticas
fantasiam momentos de afeição

Lágrimas verdadeiras nascem com dor
a saudade confunde-se com arrependimento
e o acaso com o amor

a chuva começa a nascer
e traser a esperança
e o que deixou de acontecer
não passa de uma lembrança

o tempo vai adormeçendo
e perdendo cor
e enquanto as som da chuva vai amanhecendo
vai nascendo um novo amor...

domingo, 14 de novembro de 2010

Peixe fora d'agua, borboletas no armário!

"Eu preciso muito muito de você eu quero muito muito você aqui de vez em quando nem que seja muito de vez em quando você nem precisa trazer maçãs nem perguntar se estou melhor você não precisa trazer nada só você mesmo você nem precisa dizer alguma coisa no telefone basta ligar e eu fico ouvindo o seu silêncio juro como não peço mais que o seu silêncio do outro lado da linha ou do outro lado da porta ou do outro lado do muro.Mas eu preciso muito muito de você." (Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

only

Não falo de dor. Eu falo da angústia que é não sentir nada. Eu falo da vontade de chutar a tua porta com as duas pernas e gritar uma porção de coisas nos teus ouvidos até você acordar assustado. Isso já te faria me conhecer um pouco melhor, e saber do que eu sou capaz

 Nem tudo é como a gente quer. 

No entanto, isso não quer dizer que não é tudo que precisamos. Muitas vezes, essas coisas que a vida nos coloca pelo caminho são bem melhores do que a gente esperava. Veja bem, a hora mais bonita do dia é aquela em que o céu fica vermelho, e não azul. As mais belas noites são aquelas poucas em que a lua pega emprestada quase toda a luz do sol e a gente não precisa de lanterna pra caminhar. Exemplos não me faltam: a gente só ama o frio porque pode se envolver em mil casacos e cobertores, bem como agradecemos pelo escaldante sol de verão somente após mergulharmos num mar gelado.


" Eu sentia profunda falta de alguma coisa que não sabia o que era. Sabia só que doía, doía. Sem remédio. (Caio Fernando Abreu)