domingo, 3 de junho de 2012

Na contramão




Eu ouvi os seus acordes e confiei na sua canção,
acreditei que houvesse verdade no seu coração.

Eu construí minha jangada e remei forte para atravessar o rio,
andei quilômetros de bicicleta, e vi você correr em outra direção.

Eu decorei a sua música preferida e te apresentei,
você não ouviu, nem me viu.

Eu pulei o portão, andei por vielas escuras na madrugada fria,
quando cheguei na tua casa, a porta estava trancada, e a casa vazia.

Eu ensaiei as nossas falas, tinha um script de uma hora,
você estava tão apressado que não pode nem me abraçar, muito menos conversar.

Para você eu arrumei a casa, o corpo, e organizei a vida,
você não me mandou nem um bilhete de despedida.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Replay


Mais uma vez chegou a hora de recuar.
Como foi a um ano atrás, e praticamente pelos mesmos motivos.
Andei em círculos parando de novo no mesmo lugar, por vontade própria.
Inventei desculpas para cada passo em sua direção.
Atestei minha falta de controle, sobre o coração.


"Só quero que você se vá pra o mais distante da minha vida que você possa caminhar".

sexta-feira, 18 de maio de 2012

Hoje eu sonhei com você


Involuntariamente sonhei que você tinha voltado arrependido, desejando nunca ter partido.
No sonho, como de costume, tua chegada enchia a casa de flores, aromas do campo, e sorrisos infantis.

Como de costume, tudo mudava com a sua chegada, que marcava a construção de um mundo mais bonito pra eu viver.

No sonho, eu nem fiz muitas perguntas sobre o motivo da tua partida, só pra não te cansar. Afinal, desde que você foi embora, tudo o que eu queria era te ver voltar. Trazendo flores, aromas e sorrisos outra vez.

Sonhar com você me fez sufocar na hora em que o relógio despertou, me fazendo ver que tudo não passará de um sonho.
Quase não consegui acordar.
Será que algum dia desses você volta e me surpreende?

quinta-feira, 17 de maio de 2012

O mesmo caminho


Hoje enquanto fazia aquele mesmo longo caminho de todas às quintas, 19 horas, dessa vez bem acompanhada por On The Road. Lembrei do entusiasmo que já tive ao fazer esse mesmo trajeto, nesse mesmo horário.

A necessidade que tinha de observar tudo o que acontecia fora da minha janela. Observava tudo, mas na verdade sem muita atenção. Na verdade, mentalizava o futuro, observando o presente.

Hoje lembrei que havia feito pedidos e planos para este ano, e que eles ainda não se realizaram.

Será por isso que hoje já nem olho pela janela?
Pra não correr o risco de sonhar, mentalizar e planejar mais coisas que não vou ser capaz de realizar?

(Uma semana depois me pergunto, por que escolhi esse caminho?).


quarta-feira, 25 de abril de 2012

Aquilo que você não sabe responder




E se eu pudesse te fazer sentir a minha falta?
E se eu pudesse te fazer mais feliz?
E se dessa vez eu fizesse a coisa certa? 


Quanto há de mentira em tuas palavras?
O que você esconde atrás dessa linha de proteção? Aliás, qual o motivo de tanta proteção?
No que você está pensando quando fica parado me olhando? 


Por algum momento já parou pra pensar o quanto uma brincadeira pode machucar? 


Polícia ou ladrão?
Se importa ou finge se importar?
Mexe com fogo por não ter medo de se queimar, ou por que não pode evitar? 


Seria inconsequente assim mesmo que isso fosse ME machucar? 

sexta-feira, 6 de abril de 2012

É que estava engasgado


Eu só queria te dizer que já sabia que você iria embora.
Te lembrar de quando eu previ como tudo iria acabar,
de quando eu te contei como tudo sempre acaba pra mim.
E olhando em meus olhos quase me fez acreditar que dessa vez não seria assim. Tão doce.

Eu poderia ter escrito exatamente como tudo aconteceu, há dois meses atrás.


Ainda lembro da tua convicção ao me dizer que estava errada.
Que o Romeu era você, e tudo seria diferente.
Um belo clichê...

Que ainda tinha muita história pra gente,
Que todas as noites ia me ligar, em todos os dias iriamos nos falar.

Faria minhas manhãs felizes parecendo se importar.
E eu cantaria para te ver sorrir, e me dizer que a cada dia se surpreende.

No fundo eu tinha esperança de escrever algo feliz sobre a gente.
Eu esperava que durássemos pelo menos mais cinco meses.

domingo, 1 de abril de 2012

Sentimentos dispersos



Deixei o tempo passar sem escrever, e então tudo foi se misturando. 
Hoje eu queria escrever sobre a solidão de domingo. Ontem eu queria escrever sobre a hipocrisia  humana, semana passada sobre a minha dificuldade em dizer adeus, semana retrasada sobre como perder pode fazer parte de uma rotina natural..


Eram tantos os assuntos para desenvolver, que acabei silenciando.
Tentei algumas vezes começar, tudo bonitinho, até que desandou. Me perdi no caminho, e não consegui terminar. Eu não sei dizer tchau, eu não sei por ponto final.


É sempre confuso tentar entender se era aquilo que eu realmente queria. Porque hoje eu quero, amanhã não quero, depois de amanhã te quero. 
Como se vida fosse a margarida e as pétalas fossem os dias que alternam entre bem me quer, mal me quer, bem me quer, mal me quer, até chegar ao final.


Foi em meio a todos esses inícios interrompidos que pude ver, não aprendi a perder. Se eu te peço pra ir embora, passa um tempo e já procuro uma forma de te ver voltar. Com muito mais vontade do que se tivesse te deixado ficar.


É que por mais que os finais sejam todos iguais, há sempre um certo receio de mergulhar em águas desconhecidas.